Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos (EUA) mostrou que o consumo de refrigerantes entre crianças aumentou 33% entre os anos de 1977 e 1994 e nos adolescentes, esse aumento superou 50%, mostrando que 22% desses adolescentes havia uma ingestão média de 780 mL desta bebida ao dia. Vale ressaltar que crianças que são habituadas a ingerir refrigerantes tipo cola nas refeições tem absorção prejudicada de nutrientes tão importantes como o cálcio e o ferro, além de apresentarem sintomas de nervosismo, ansiedade, alergias, aumento de peso, cáries, insônia e até hiperatividade. Como nota-se uma prevalência intensa de deficiências em ferro e vitamina A em crianças, deve-se evitar comprar refrigerantes em sua casa e estimular o consumo dos alimentos ricos nesses nutrientes nessa faixa etária, oferecendo sucos de frutas naturais, água de coco para seu filho.
Dados de outra pesquisa, também realizada nos EUA, mostraram a evolução dos tamanhos das porções de alimentos servidas em alguns estabelecimentos nas últimas décadas que foram comparadas com as padronizadas pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). As porções de carnes, das massas e dos chocolates excediam em 224%, 480% e 700%, respectivamente. Com relação ao consumo alimentar da população brasileira, análises realizadas pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nos anos de 1988 e 1996 apontam tendência de crescimento na aquisição de alimentos ricos em gorduras nas regiões Norte e Nordeste do país e elevação dos carboidratos simples, como arroz branco, pão branco, açúcares, doces, acompanhada de redução na aquisição de alimentos fonte de carboidratos complexos, como arroz integral, pão integral, cereais integrais. Este quadro se configura por conta do aumento na aquisição de carnes, de leite e de seus derivados, de açúcar e refrigerantes e do declínio nas compras de leguminosas, como feijões, ervilha, soja, grão de bico, de hortaliças e de frutas.
As crianças usualmente preferem os alimentos mais calóricos, principalmente pela sensação de saciedade e garantia de fornecimento de energia suficiente para as necessidades metabólicas básicas que vão aumentando. Com o crescimento e desenvolvimento rápido da criança, vão aumentando as necessidades o organismo, sendo necessário incluir mais variedade e qualidade dos alimentos. E alimentos, como os vegetais em geral (verduras, legumes, frutas), são as fontes de vitaminas e minerais, nutrientes essenciais para o bom funcionamento celular, do metabolismo, para uma boa saúde da pele, dos cabelos, dos olhos, dos ossos, do cérebro, de todos os órgãos e para que ela cresça de forma saudável. Mas, é muito importante os pais darem o primeiro exemplo da boa alimentação, ingerindo em sua rotina verduras, frutas, alimentos integrais, pois as crianças se espelham nos mesmos. Para isso, deve haver uma conscientização da família para uma reeducação alimentar. Então, cabe aos pais restringirem o consumo de salgadinhos de pacote, bolachas recheadas, refrigerantes, salgadinhos fritos e de forno, fast food, sendo negociado aos fins de semana apenas e em quantidades pequenas. O consumo de fast food não deve ser uma rotina na alimentação da criança, pois essas “comidas rápidas” fornecem excessos de calorias, gorduras saturadas, sal, aditivos químicos, pouca ou nenhuma vitamina, mineral e fibra, não tendo muito a acrescentar, além de energia. Além de causar aumento de peso, o cardápio fast food, pode levar ao aumento de colesterol sanguíneo e má digestão na criança.
Outra coisa que é importante relatar é não usar sobremesas como recompensa ou castigo, pois só faz reforçar a importância dos doces e guloseimas em sua alimentação. É necessário respeitar os horários das refeições e conversar com a criança sobre o “poder” dos alimentos em sua saúde, pois ajuda a associar os alimentos com saúde. O conhecimento sobre boa alimentação e suas conseqüências ou mesmo o interesse em aprender pode tornar-se um diferencial importante no estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis.
Carolina Santos é nutricionista, colunista da Revista Bebê e Gestante e do portal www.bebenet.com.br. Ela também é colaboradora do programa Todo Seu, da TV Gazeta.