Parto

É hora de procurar ajuda

Conheça as diferenças entre depressão pós-parto e baby blues.

Saiba como identificar os sintomas e não hesite em pedir ajuda ao seu médico.

O Tão idealizado momento do nascimento do bebê chega e você não consegue sentir a esperada alegria. Ao contrário, é tomada por uma tristeza e insegurança imensas. Vem aquela vontade inexplicável de chorar acompanhada do medo de cuidar de seu filho. Esses podem ser sintomas de depressão pós-parto (DPP), doença que atinge de 10% á 20% das mulheres, de acordo com estudos científicos realizados pelo Brasil. “Existem diferentes graus de DPP. Há uma forma leve e passageira, conhecida como baby blues pós-parto; outra é a depressão propriamente dita, em intensidades variadas; e há ainda a psicose puerperal, que é um quadro muito grave, inclusive com riscos de vida para o bebê. Nesse caso, a mãe rejeita a criança e tem impulso de machucá-la”. Explica o ginecologista e obstetra da Universidade Federal de São Paulo, Abner Lobão.

A depressão pós-parto acontece, na maioria das vezes, a partir das primeiras quatro semanas após o nascimento do bebê, podendo durar desde os seis primeiros meses até um ano. A mãe que sofre de DPP tem um desânimo constante, sentimentos de culpa, alterações do sono, idéias suicidas, medo de machucar o filho, diminuição do apetite e da libido e presença de idéias obsessivas. Para tratar a DPP, além do suporte emocional por parte da família e de profissionais, como obstetra, psicólogo ou psiquiatra, também pode-se usar medicamentos. Alguns antidepressivos podem ser utilizados, mas sob orientação médica.

Os tipos de parto

Não se trata de uma simples escolha. E muito menos cabe à futura mãe decidir o procedimento que vai trazer seu filho ao mundo. Na verdade, o veredicto final vai depender do bebê, ou melhor, de como ele está posicionado dentro do útero. Sem falar, é claro, da avaliação do médico. O parto normal, recomenda a Organização Mundial de Saúde, deve ser sempre a primeira opção. No entanto, os obstetras podem se valer da cesárea quando há algum tipo de complicação.

Via natural

É mais fácil apontar os benefícios do parto normal do que os seus pontos negativos. O risco de a criança e a mãe terem infecções, por exemplo, é menor. Além disso, a recuperação da mulher tende a ser mais rápida. As mães costumam reclamar das fortes dores causadas pelas contrações do útero. Mas, hoje em dia, tal desconforto pode ser amenizado com a anestesia. Quando a mulher ou o bebê dão sinais de muito cansaço, os médicos podem recorrer a um antigo instrumento, o fórceps, para auxiliar a saída da criança.

Quando a opção é a cesárea

Se o método normal oferece riscos à saúde da mãe ou à do bebê, a cesariana pode ser uma alternativa mais segura. A cirurgia costuma ser indicada para mulheres hipertensas, com um feto de peso menor que 2,5 kg ou gerado em úteros com tumor benigno. As desvantagens são que esse método aumenta o tempo de internação hospitalar e eleva o risco de infecção. A recuperação completa da mãe demora de 30 a 40 dias.

A melancolia do baby blues

Apesar de atingir 80% das mulheres, o baby blues é pouco conhecido. Geralmente no terceiro dia de vida do bebê, algumas mães começam a sentir os sintomas. È um transtorno de humor, como a DPP, mas de uma forma mais leve. O baby blues regride por si só por volta do primeiro mês, mas em geral dura apenas 10 dias com a diminuição gradativa das sensações ruins. Mesmo com a alta incidência, a maioria das mulheres muitas vezes nem sabe que estão sofrendo dessa doença. Por ter sintomas muito parecidos com a DPP (irritabilidade, mudanças de humor, indisposição, tristeza, insegurança, baixa auto-estima, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e choro sem motivo aparente) é facilmente confundido com quadros mais graves.

“É importante que a mãe observe que no baby blues os sintomas vão diminuindo a cada dia, á medida que ela vai se sentindo mais segura nos cuidados do bebê” diz Abner Lobão.

A ajuda do marido também é importante. Ele deve auxiliar nas tarefas com o bebê para que a mãe não se sinta sobrecarregada e ainda tenha algum tempo para si mesma, como tomar um banho mais demorado, cuidar da aparência. Essas pequenas coisas farão a mãe sentir-se com a auto-estima aumentada e, por conseqüência, mais fortalecida.

“O alerta deve acontecer se o humor materno não melhorar no prazo em que ocorre o baby blues. Em casos é assim, é possível que essa melancolia pós-parto tenha evoluído para uma DPP convencional, então será necessário acompanhamento médico”, orienta Abner Lobão.

G. Brazil
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