Dicas

Em dia com o calendário do pré-natal

As consultas de pré-natal são aguardadas com ansiedade pelas grávidas. Todas querem descobrir mais um detalhe sobre o bebê e ouvir dos médicos que está tudo em ordem. Se pudessem, iriam ao consultório mais vezes... Mas aqui vai um banho de água de fria: os especialistas são unânimes em afirmar que uma visita mensal é suficiente em gestações normais, em que não existem doenças na mãe nem no feto, até a 30ª semana.

Muitos até são contra a vontade de alguns pais de fazer vários exames sem indicação. Segundo eles, isso só aumenta a ansiedade. “Já quando a gestante tem hipertensão ou diabete ou nos casos em que o feto não está se desenvolvendo como deveria, as consultas podem ser realizadas a cada uma ou duas semanas”, afirma o obstetra Marco Antônio Lenci, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A periodicidade também aumenta na reta final. Entre a 30ª e a 37ª semana, a visita é quinzenal e, no último mês, semanal. Vale lembrar que, dependendo da gravidade do problema, essas datas se alteram.

Nada de jejum prolongado!

Saltar refeições ou deixar de incluir no cardápio uma boa variedade de alimentos pode prejudicar o desenvolvimento do bebê e mesmo a sua saúde anos depois. "A carência de nutrientes por períodos prolongados aumenta o risco de a criança nascer prematura ou com baixo peso", explica a nutricionista Maria Antonieta Carvalhaes, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu (SP). Com o passar do tempo, o pequeno adquire uma maior tendência a ganhar quilos extras e essa característica pode persistir pela vida adulta. Esse fenômeno teria início ainda na fase fetal. Uma das hipóteses aventadas pelos médicos é de que, sem receber uma quantidade suficiente da energia dos alimentos, o corpo do feto passaria a reservar calorias como medida preventiva. Dessa forma, é como se ele desenvolvesse uma grande capacidade para estocar gordura no abdome, aumentando assim a probabilidade de a criança se tornar obesa no futuro.

Exercícios físicos são fundamentais durante a gestação

A prática de exercício físico é recomendada para todas as gestantes, pois há benefícios tanto para a mulher quanto para o bebê. Dentre eles, está a diminuição das complicações obstétricas, maior controle do ganho de peso da mãe, melhora no condicionamento físico, atuação no estado psicológico e social, e diminuição da depressão e do estresse.

De acordo com a Dra. Fabiane Sabbag, médica ginecologista e obstetra do Hospital São Luiz, os exercícios físicos são muito importantes durante essa fase, porém, é recomendável que a gestante tome alguns cuidados. "Ao praticar atividades físicas, deve-se usar roupas leves, evitar altas temperaturas e beber muita água para se hidratar", recomenda.

Para a especialista, as melhores atividades são feitas na água, como natação e hidroginástica, pois evita as forças gravitacionais, melhora as dores lombares e o inchaço."Ioga também é uma boa alternativa para manter o tônus muscular e melhorar a flexibilidade", completa.

Ao escolher o tipo e a intensidade dos exercícios, a gestante deverá ter a liberação do médico e o auxílio de um profissional da área, pois as atividades variam de acordo com o período da gestação. A pessoa que nunca praticou exercícios físicos deve iniciar com atividades de baixo risco, como caminhadas, natação e hidroginástica leve. Já quem está habituada poderá continuar com o programa habitual, apenas deverá modificar a intensidade e velocidade, à medida que a gravidez evoluir.

"Esta prática poderá ser contra-indicada em casos específicos, principalmente em mulheres com doenças cardíacas, trabalho de parto prematuro, gravidez múltipla, feto com crescimento inadequado, entre outras. Portanto a prática de atividade física irá depender da liberação ou não de um médico", afirma Fabiane.

Dieta, vitaminas e Gestação

Além da prática de exercícios, é importante que nessa fase a mulher se atente também à alimentação, para evitar ganho excessivo de peso. Uma alimentação adequada é muito importante durante a gravidez para o bem-estar materno-fetal. Segundo a especialista, as recomendações nutricionais devem ser adaptadas seguindo as necessidades específicas e variações individuais, como ganho de peso, tamanho do feto, pré-natal de alto risco, entre outros. Deve ser elaborada uma dieta adequada para cada gestante e para o bebê.

Outro ponto a ser considerado é a alteração da presença de vitaminas no organismo. "A concentração plasmática de muitas vitaminas e sais minerais se alteram na gravidez, podendo aumentar ou diminuir no organismo materno. Portanto, é importante o uso de suplementos vitamínicos específicos durante a gravidez", diz.

Fonte: Fabiane Sabbag é médica, ginecologista, formada pela Faculdade de Medicina do ABC. Possui especialização nas áreas de Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Endoscópica Ginecológica e Reprodução Humana.

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